Psicanálise, Impressões Preliminares

 

Já dizia o filosofo antigo: Conhece-te a ti mesmo (frase creditada a Sócrates por Platão). Conhecer-se é um bom começo para a cura. Conhecer-se talvez seja perigoso, os “monstrinhos” reprimidos dentro de nós, no inconsciente.

A busca investigativa do médico Freud, quanto as causas de doenças neurológica, o fez perceber que existe algo além da superfície. O caráter investigativo próprio dos cientistas

Inconsciente obscuro, misterioso, inacessível em sua plenitude ou, incompreensível não por causa de sua inacessibilidade em si, mas, mais por causa de nossas limitações quanto ao percebe-lo. Códigos, signos, indecifráveis para o nosso conhecimento periférico. Como uma plataforma de Windows 95 querendo ler o Office 2018.

Como teólogo, estimulado e provocado, pela estruturação do aparelho psíquico por Freud: Inconsciente, pré-consciente e consciente, em sua primeira tópica e, depois, classificando, pelo que entendi, numa tentativa de aperfeiçoamento, em sua segunda tópica de id, superego e ego, fui provocado a associar a parte do inconsciente com a natureza espiritual.

Percebi, como homem que crê nesta realidade transcendente, não é difícil para mim vislumbrar o mundo do inconsciente, em suas nuances, com cortinas, névoas, mistérios.

A identificação com a psicanálise, passa por aí e, também pela proposta de encontrar a cura, a solução para doenças emocionais, da alma, dentre outros aspectos.

Na teologia, com objetivo de entender melhor a natureza humana, a dividimos em duas: natureza espiritual (espírito e alma) e a material (corpo físico), dicotomistas. Algumas linhas dividem em três partes, não juntando alma e espírito, mas separando, são os tricotomistas.

Mesmo para o “crente” o universo espiritual é incompreensível, a exemplo do que mencionei em relação ao inconsciente por sua realidade de difícil compreensão e sua natureza em si; diferente e de difícil percepção para nós por causa de nossa formação e sensibilidades.

Contudo, não acomodando-se meramente na crença-fé, mas buscando a compreensão, o aprofundamento do conhecimento.

Concordando, no seguinte aspecto, com a crítica de Dawkins quando ele afirma ser uma das limitações da religião o se conformar só com a crença. [Dawkins, R. The God Delusion. London: Transworld, 2007., p. 152; ver também pp. 154, 159-60].

Ainda na motivação em conhecer a natureza da psique humana na perspectiva da psicanálise, deparo-me, nesta introdução, com revisões de metodologia e estratégia, naturais em campos de estudos novos. A sugestão hipnótica, técnica aprendida por Freud com o francês Charcot, nem sempre eficiente, já que o paciente não lembraria do processo por estar com a mente alterada pela ação hipnótica, nem agiria com naturalidade e, a ineficiente tentativa de interferir na mente (técnica da pressão), com a pressão das mãos na testa do paciente.

Freud percebeu que deixar o paciente expressar-se de forma espontânea, sem nenhum tipo de intervenção que comprometa a livre expressão do indivíduo, chamando isso de ‘associação livre’.

Percebi, nestes estudo preliminares que Freud passou a focar a sua análise a partir das informações contidas nas expressões espontâneas do paciente, ou seja: o começo do diagnóstico está, mesmo que muito fragmentado, no consciente do analisado. Achando o “fio da meada” na fala. A partir daí, ajudando o paciente a ter as memórias mais claras e compreensíveis.

Nesta perspectiva em ouvir o analisado, ocorre-me e destaco, o poder terapêutico da fala, do externar as dores, os traumas, os medos. Método ou prática utilizado nas religiões cristãs (Tema trabalhado amplamente no livro Confissões de Santo Agostinho); “a necessidade de confissão dos pecados”. Quando trabalhado sem a culpa imposta, mas, como alívio de consciência, bastante eficiente, pois o falar desintoxica.

Refletindo com o artigo da Waleska Fochesatto sobre a fala, A Cura Pela Fala. Na catarse há uma manifestação visceral do ser, no qual o paciente sinceramente quer expressar-se, em conseguindo, ele consegue organizar suas lembranças podendo reagir as mesmas com mais estrutura.

Voltando a tradição da confissão, praticada na maioria das estruturas religiosas cristãs, na minha experiência, tanto como confessor como ouvinte de confissões, em boa parte dos casos, das experiências, é profundamente terapêutico. O ato de exteriorizar em si, alivia e pode curar.


Noutra dimensão da utilidade da confissão-fala, compartilhar o que é vergonhoso, proibido, comento sobre as pulsões, mecanismo inconscientes relacionados a vida, morte, sexo, desejo de comer...

Nesta proposta de estudo Freud já percebia na sexualidade, base ou fonte de muitas doenças psíquicas. Pulsão sexual x repressão e controle, muito em evidência na atualidade.

Conflitos de gêneros, homossexualidade, pedofilia, incestos, etc. A humanidade evoluiu muito tecnologicamente, não nestas questões ligadas a sexo. Por que é tão forte? Será que os mecanismo de controle quanto a sexualidade são necessários e ou estão corretos, principalmente na pós modernidade-tempos atuais? Se não, o que falta ainda?

Percebo, nesta introdução, a importância desta sistematização no estudo da mente, compreendendo melhor a pertinência da disciplina e, inevitavelmente, fazendo pontes entre a psicanálise e a teologia. Ambas tem como objeto final o bem estar da humanidade em sua motivação e sentido de ser e existir.

Psicanálise, uma ferramenta pertinente e oportuna, contemporânea. A humanidade é vítima, nestes dias de um mal também pandêmico, (lembrando do Covid 19), a depressão.

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